"Sou também um livro que levantou dos teus olhos deitados."
Quando eu definitivamente não me enxergava, não me escutava e só me sentia através dos toques alheios, eu enfim tive a oportunidade de olhar pra mim e não apenas me ver, escutar a mim mesma sem apenas me ouvir, me sentir por inteira sem precisar de ninguém!
Isso se deu aos poucos. Aos poucos eu fui percebendo o quanto eu não mais me parecia com quem eu já tinha sido. O quanto eu me preocupava - realmente - mais comigo sem me esquecer dos outros.
Eu fui realmente encontrando a minha coêrencia, não em estar mudando, como diria Carpinejar, mas em estar finalmente me encontrando! Descobrindo, de fato, a pessoa que eu sou - em contraste com a que eu era.
O triste disso é que nem todas as mudanças são imediatas, instantâneas e apresentam resultados transparentes. Algumas mudanças exigem paciência, tempo e muita, muita prudência - O que me falta até hoje. As mudanças necessárias eram tantas que até hoje ainda me sobram. Ainda me assombram. E até eu ainda perco a paciência comigo.
"Serei aquela que deveria ter sido, enterrada sem morrer, a que desapareceu permanecendo perto."
Hoje eu poderia não mais me orgulhar dessa conquista - sim, considero uma conquista tudo o que foi feito onde nem eu acreditava ser possível fazer alguma coisa. - uma vez que apesar de muito mais inteira, estou absurdamente pela metade. Uma vez que muito mais viva, dolorosamente enterrada. Assim como muito mais capaz de ser e me fazer presente, não sirvo... Nem quando e nem onde gostaria de ser útil. Mas me orgulho!
Enfim, passei tanto tempo, passei tanto por cima do que eu era em funçao do que sou e me dediquei tanto a isso, a mim, que talvez por ironia do destino, eu é quem sou hoje a minha melhor companhia. Não consigo me apegar mais a mais ninguém. Não existe hoje quem me entenda mais que eu e, incrivelmente, eu já fui tão mais complicada!
Enfim, passei tanto tempo, passei tanto por cima do que eu era em funçao do que sou e me dediquei tanto a isso, a mim, que talvez por ironia do destino, eu é quem sou hoje a minha melhor companhia. Não consigo me apegar mais a mais ninguém. Não existe hoje quem me entenda mais que eu e, incrivelmente, eu já fui tão mais complicada!
"Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, é melhor assim."
ps.: Citações de Fabrício Carpinejar. Ao contrário do que normalmente acontece, não sou eu quem o leio, é ele quem me lê. Inexplicavelmente. Linha a linha! (Com direito as entrelinhas também)
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