"Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim." Clarice Lispector.
Vamos por partes porque as partes são muitas: É o instante que sustenta nele - muitas vezes - tantos pilares que fica insustentável não se fragmentar. Não optar por um, dois ou três deles. Várias partes em uma só.
Acabamos nos descobrindo introspectivos, pedindo ao mundo inteiro só mais um pouco de tempo. O aqui e o agora são - as vezes - tortuosos demais pra nós - partes fragmentadas de um Todo que É: Sabe bem como ser o Todo.
E, ainda por cima, somos e até nos deixamos ser ingênuos diante Do que nos aparece em tão grande parte: Chegamos a culpa-lo pelas armadilhas que nós mesmos vamos nos preparando pelo caminho.
O mau uso do instante agora, então, é agora crucial e nós - muitas vezes - só nos damos conta disso mais, bem mais tarde.
É. Não importa em quantos fragmentos o tempo ou o instante se apresentem e/ou se despeçam... O desafio mesmo é se integrar e se desintegrar com ele. Se desfragmentar e desfragmenta-lo.
Não me importa, no entanto, o tempo que é vago e se esvai, se divide, deixando sabor de sonho e pronto. De platônice. De adiamento. Eu quero o agora. Agora!
O que me encanta, de verdade, é tudo o que foi intensamente e tanto que - nada - nunca vai ser exatamente igual pra mais ninguém e, também, nunca o deixará de ser - de alguma forma!
O instante agora é bom quando nos fornece um porto seguro, esteja ele no instante que for: Somos tudo o que fomos uma vez e sempre poderemos voltar lá e ser... Sozinhos ou não.
Sejamos, então, a mudança que queremos ver... Sejamos, afinal, o que/como podemos ser e ser o melhor que podemos! E, chegarmos-ei lá... Muito longe. Muito alto. Muito além.
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