31 maio, 2025

Breve pesquisa de mim.

    



    É divino encontrar sentido, mesmo que ele se dê no mais humano de nós. Sentar nas nossas raízes e sermos acolhidos pelo seu tronco, mesmo que anos e anos depois.

    Sempre fui, mas estou ainda mais família. Incrível - da ordem do que não é possível de acreditar - mas está ali. É parte de mim. E eu aceito e quero sim, tudo que for sobre mim.

    Não pelo ego do que me diz respeito, mas pelo mistério do que me constitui. Pela busca do que me ajuda a entender, conhecer... Conhecer e libertar. Entender e aceitar.

    Nem sempre a gente consegue encontrar, nem sempre o que a gente encontra, vai nos libertar. Privilégios a parte, sempre me disseram qual era o meu lugar. Difícil, muitas vezes, foi concordar.

 Todo dia precisa ser uma busca, encontre ou não. A gente só se perde realmente quando para de procurar. Enquanto houver busca, haverá porque continuar...


24 abril, 2025

Todo oposto.



Eu tenho duas famílias completamente opostas, uma da festa e a outra do trabalho. Uma, quando encontra, quer festa. A outra, quer mais é trabalhar... Encontrar pra que? Então, uma tá sempre junta e sempre se juntando. A outra, tá sempre separada e mal se falam.

Quando eu estou na família unida, eu me sinto solitária na separada. Quando eu tô na separada, me sinto agradecida pela unida. Família parte a gente no meio. É como se nunca estivéssemos totalmente completos sem algumas partes. Eu, pelo menos, me sinto sempre assim...

Talvez isso também tenha contribuído pra que eu me tornasse uma pessoa da tensão, que tá sempre se sentindo tensionada em relação a tudo e, por isso, nunca consegue concluir nada direito. Tensão demais gera insegurança. E, em mim, a insegurança gera agressividade. Agressividade gera conflito e mais nada...

Algumas pessoas, quando estão inseguras, se recolhem e se amedrontam. Eu não conheci o medo,  eu nasci convivendo muito bem com ele. Por isso, a insegurança me deixa em estado de alerta. Pronta pra reagir, seja como for.

E, reagir demais me levou a pensar de menos sobre as minhas emoções. Sob tensão é muito difícil digerir o que a gente sente, conseguir parar pra respirar antes de reagir. A reação era minha maior aliada, minha defensora incondicional. 

Hoje entendo que, os opostos não me atraem, mas me tencionam a ponto de até hoje eu não ter conseguido entender direitinho como e o que ser com calma e leveza. Mas a busca tem sido mais bonita do que tensa e os opostos tem me ensinado mais do que tencionado. Já é um belo começo...

Onde Ohana se firmar,  Aloha se espalhará.

29 janeiro, 2025

Mágica

 



Eu não sei o que você vai pensar disso, mas eu não só acredito como sinto, cada vez mais, o quanto a gente é pura energia. E quanto mais café, mais energia! hahahaha

Brincadeiras a parte, quanto mais a gente se sente bem com a gente mesmo, com as nossas escolhas (mesmo que não todas), mais a gente sente uma energia boa indo e vindo. Parece que a gente começa realmente a atrair coisas mais positivas.

Hoje eu acordei com uma energia estranhamente positiva. A minha vontade é de abraçar o mundo, realizar todos os meus projetos, dizer pra todas as pessoas o quanto eu as amo. E, incrivelmente, começo até a lembrar de bons sentimentos antigos que tinha esquecido, alguns ruins e que poderiam ter sido bons...

A mágica da vida tem acontecido desde que eu escolhi me escolher. E não essas escolhas egoístas, onde escolhemos realizar os nossos desejos e pronto. Não. Foi uma escolha quase altruísta, quase que por alguém que eu não conhecia. 

Eu tive, antes de começar a ter esse reencontro comigo, que abrir mão de uma eu que eu ainda era muito apegada, que eu ainda não via os defeitos, as falhas, e que, principalmente, eu tinha muito, muito medo de encarar as fragilidades, os medos...

Escolher, conscientemente, a gente mesma, as vezes é uma escolha que envolve tanta dor, tanta concessão, tanta decepção. Nos decepcionamos demais com a gente mesmo até entender o porque insistimos em fazer isso. E, por incrível que pareça, a mágica acaba acontecendo.

De alguma forma, vamos conseguindo abraçar os nossos monstros e olhar pra eles com menos medo e mais coragem. De repente, aquele monstrão que a gente via (e se tornava as vzs), começa a nos abraçar de volta e a gente entende que todos os nossos lados, no final, só precisam que a gente consiga aceitá-los pra gente poder realmente cuidar deles.

Ou seja, cuidar da gente não é nenhuma mágica, mas com certeza produz um milhão delas na nossa vida. E é só o que eu pretendo continuar fazendo por aqui, sem nenhuma pretensão em me tornar nenhuma mágica.

23 janeiro, 2025

in.Certezas



Nem sempre a gente tem certeza, inclusive, na maioria das vezes, talvez a gente não tenha. Nenhuma. Mesmo quando a gente acredita que tem, no fundo, a gente talvez forje essas certezas para que não padeça num limbo de incertezas infinitas.

Aquele papo batido sobre a nossa pequeneza, a grandeza das coisas e de todo o universo que nos rodeia, é batida porque é real mesmo. A gente é incapaz de ter certezas absolutas com as migalhas que temos nas mãos. 

A única certeza é de que estamos vivos, sabe-se-lá-como. Temos certeza também de que vamos morrer, sabe-se lá quando... Mas, dessas duas certezas, fazemos pouco ou muito proveito?!

Acredito que a gente busque fazer o melhor. Eu vivi muito, de formas muito questionáveis. Mesmo assim, vivi bem intensamente. E, de fato, sou muito privilegiada porque eu vivi praticamente tudo o que eu desejei até hoje.

Podemos dizer que eu seja uma pessoa humilde? Talvez. Apesar de nunca ter saído do país, eu já conheci muitos lugares dentro dele. Apesar de nunca ter morado em muitos bairros, eu vivi muitas coisas, em muitos deles. 

Eu conheci pessoas tão, tão fantásticas ao longo da minha vida que, de verdade, muitas vezes eu já me senti uma pessoa grandemente iluminada simplesmente por isso. Um perigo, mas ao mesmo tempo uma delícia. E eu sempre adorei essa mistura.

E, bom, por mais que várias certezas tenham sido colocadas ao longo desse texto, eu posso facilmente mudar de ideia sobre muitas delas e, bom, outras eu posso esquecer.

Então, ficam a certeza e a alegria mais urgentes:

EU TÔ VIVA
E
GRATA POR VIVER!  

22 janeiro, 2025

Deseducação ou The Miseducation

 



Se até Lauryn Hill dedicou todo um álbum às inspirações deste livro, quem sou pra não dedicar ao menos este texto?!

Hoje termino mais uma leitura, curta, porém uma das mais intensas da minha vida até agora. E não foram poucas. Precisei parar várias vezes, rezar, respirar e pedir ajuda.

Carter Woodson, nascido em 1875, escreveu em 1933, o livro chamado "The Mis-Education of the Negro" ou, traduzido; "A deseducação do Negro".

As palavras de Carter, mesmo que didáticas, claras e objetivas, chegavam até os meus olhos como o rock'n'roll que eu colocava pra tocar na minha adolescência, e que me colocava em estado de êxtase agudo, sem mais, nem menos. E assim os sons me tomavam.

Porém Carter vem com muito mais e nada a menos. Ele vem, em 1933, me dizendo exatamente as coisas que eu precisava ler em pleno 2025. Cada palavra dele era como se desvendasse um universo de possibilidades diante de mim, ao mesmo tempo que abria um vão diante de mim e da imensidão de tudo que nos foi negado.

Mesmo não me entendendo como uma pessoa preta, sempre estive a margem da sociedade como mulher, lésbica, classe média baixa. E não que eu faça disso uma lamentação, mas, de fato, é um imenso propulsor de mudanças, de busca por respostas, lugares e explicações.

Quando crescemos sem referências que possam nos dizer que somos pertencentes, que existem pessoas iguais a gente sim e que elas são legais, que elas alcançam os seus sonhos e que são tão capazes quanto, tudo o que nos resta é correr atrás de descobrir isso sozinhos. E, sozinhos, descobrir que não somos únicos.

Mas a ideia de unidade não deve, nunca, ser confundida com a de unitário. Unidade saudável só é possível através de coletivo, e coletivo saudável só é possível através várias forças unitárias, saudáveis, em prol do todo. Uma força que se movimenta sozinha, não gera energia suficiente pra alimentar nem a si mesma.

Quem nunca leu este livro, seja qual for a sua raça, se vc se interessa por história, educação, empreendedorismo e crescimento pessoal e profissional, não perde essa leitura. 

E, caso você seja mulher, leia com seus olhos de mulher e vamos conversar. O livro tem uma perspectiva muito exclusiva sobre o homem negro, e sabemos que os impactos de tudo isso sobre as mulheres são ainda mais danosos.

Link do livro

Ótima leitura e volta, vamos papear!